quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Um moinho como palco para um encontro de folclore

Manuel Simões e Manuel Samouco, elementos do Rancho Folclórico "Os Camponeses da Peralva", da Peralva, uma aldeia da freguesia de Paialvo, em Tomar acordaram às sete da manhã de sábado, 24 de Agosto, para pintar de fresco um moinho de vento que existe há 150 anos nesta aldeia. O vento forte que se fazia sentir no Casal do Perninha dificultou a tarefa mas, persistentes e unindo esforços, a meio da manhã já estavam a dar os últimos retoques no rodapé azul do moinho branco. Uma semana antes, já Manuel Samouco tinha andado no local com o tractor a limpar o terreno. Não menos importante, no interior, o proprietário Ílídio Silva, acompanhando por Nuno Fonseca e Paulo Ribeiro, desenvolviam esforços para colocar a pedra da mó, com cerca de 600 quilos, a funcionar em pleno para que o moinho volte a produzir farinha, tal como no tempo do seu avô José António da Silva. "O meu avô já tinha herdado isto do pai e foi passando de geração em geração. Como estava ao abandono, pensei em recuperá-lo, por dentro e por fora", conta, relembrando que era ali que brincava em criança. O resultado final pode ser apreciado no domingo, 1 de Setembro, a partir das 16 horas, durante o "I Encontro de Tocadores de Instrumentos Tradicionais" da Peralva.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Uma profissão que nos escolhe para o resto da vida Quando saiu a primeira edição de O MIRANTE, a 16 de Novembro de 1987, eu tinha onze anos e já praticava uma espécie de jornalismo de proximidade. Foi mais ou menos nessa altura que comecei a tirar fotografias aos clientes da tasquinha de comes e bebes que os meus pais têm nos arredores de Tomar, com uma máquina fotográfica descartável, que revelava com os trocos que tirava às escondidas da gaveta. Depois colava-as numa folha de papel cavalinho A3 e, por debaixo das mesmas, escrevia à mão o perfil do fotografado e quais os petiscos que ele mais apreciava. Fazia aquilo, por brincadeira, uma vez por mês e os clientes perguntavam sempre quando saia o próximo exemplar do “Jornal do Chinquilho”. A determinada altura um deles perguntou-me se podia ali colocar o número de telefone da sua agência de Seguros e passou a dar-me algum dinheiro em troca com o qual passei a pagar as fotografias e as fotocópias. Foi assim, daquela forma muito incipiente, que contactei pela primeira vez com a “indústria” do jornalismo. Foi assim que a profissão me escolheu para o resto da vida. Quis o destino que, vinte anos volvidos, viesse a trabalhar no jornal que é considerado como uma das maiores referências ao nível do jornalismo de proximidade não só no distrito de Santarém como no país. Agora já não escrevo para contar que o senhor Carlos que gosta de beber umas imperiais acompanhadas por tremoços depois de um dia de trabalho na fábrica de papel do Prado mas muita da minha prosa continua a debruçar-se sobre pessoas e sobre os problemas que as afectam. Pessoas comuns como aquela senhora das Curvaceiras, na freguesia rural de Paialvo, Tomar que, padecendo de uma doença genética degenerativa, não podia sair de casa porque as condições do terreno não eram propícias à cadeira de rodas manual em que se deslocava. Um grupo de cidadãos estava a tentar angariar três mil euros para conseguir comprar um equipamento eléctrico e assim melhorar a autonomia da Clementina Vicente. Após eu ter dado a notícia daquela iniciativa solidária uma empresa de Alcanena contactou O MIRANTE e garantiu o dinheiro em falta para a compra da cadeira. Sei que não consigo mudar o mundo mas também sei que muitas vezes, a aparente insignificância do que escrevo pode fazer a diferença na vida não só de uma pessoa como de toda uma comunidade. E é dessa esperança que me alimento diariamente enquanto cidadã e jornalista.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O professor de ginástica que tem um pavilhão com o seu nome Nascido no seio de uma família humilde, José Maia Marques
acalentava em criança o sonho de seguir Educação Física. Tinha 43 anos quando conseguiu o diploma e, a partir daí, o desporto não parou mais de crescer no seu concelho. José Maia Marques, 63 anos, surge-nos na sua forma autêntica: calças de fato de treino, t-shirt básica e de boné na cabeça. Homem alto e de porte atlético, foi professor de Educação Física até ao dia 1 de Abril de 2009, altura em que se reformou. Tem muitas saudades de dar aulas, “a sua grande paixão” e confessa que ainda vai até à Escola Secundária de Mação jogar badmiton com os alunos, modalidade que ajudou a implantar no âmbito do Desporto Escolar. Mas não foi a única. Dinamizou a implantação do atletismo na Ortiga, do futsal, do futebol de onze, BTT, natação e, quando se deu a viragem no século, ocupou-se dos desportos radicais. “Ensinei milhares de pessoas a nadar nas piscinas de Mação. Não se ganhava quase nada mas tinha o Verão ocupado e divertia-me”, conta. Foi ainda menino, entre os sete e os onze anos, que começou a jogar futebol com uma bola de trapos que pediu à mãe. Esta resistiu à ideia porque “ele ia estragar os sapatos” mas acabou por ceder. Quem não tem cão, caça com gato e, por isso, lembra-se que fazia corridas de bicicletas apenas com guiadores ou jogava hóquei em patins com paus retorcidos e com uma bola de matraquilhos roubada. Mais tarde, já em Alvega, ficava encantado com as aulas de ginástica que tinha semanalmente com um professor que se deslocava à escola de propósito para esse fim. “Tinha onze, doze anos quando defini a minha profissão futura: professor de ginástica. Até ao 7.º ano foi fácil estudar mas o resto….”, confessa.