sexta-feira, 6 de julho de 2012
E quando um casal de deficientes se “atreve” a namorar?
“Quando duas pessoas se amam e querem viver juntas deviam ter direito à sua sexualidade. Mas não têm. Um deficiente é, para a sociedade, um ser assexuado. Este é o primeiro obstáculo e a família os primeiros oponentes”. As palavras são de Isabel Barata, que se deslocou a Abrantes para apresentar o livro “Unidos no Amor contra a indiferença”, que escreveu juntamente com o seu namorado, Manuel Matos, em 2009. O livro pretende ser um alerta contra a indiferença de uma sociedade que deixa os seus cidadãos com deficiência serem destítuidos do direito básico de constituirem família e serem felizes. A apresentação, que coincidia com um jogo da selecção portuguesa, vai ser repetida em breve.
Isabel Barata, com uma incapacidade física de 84% e Manuel Matos, com 99,9% de dependência, namoraram três anos. Durante todo o tempo da relação lutaram “pelo direito ao afecto, à sexualidade, a uma vida inteira e normal”, encontrando obstáculos de todos os lados. O último dos quais foi o epílogo da própria relação: Manuel não chegou a ver o livro escrito a quatro mãos publicado uma vez que faleceu em Maio de 2009, alguns dias depois da editora ter acedido à chancela da obra.
“Este livro é o nosso filho. A razão da minha existência”, refere Isabel Barata a O MIRANTE momentos antes da apresentação. O convite para estar em Abrantes partiu do amigo Eduardo Jorge, tetralégico que vive na Concavada e que se emocionou com o testemunho do casal, identificando-se com as suas angústias. Isabel Barata, economista e Manuel Matos, professor, conheceram-se por intermédio de um amigo comum e trocaram bastante correspondência antes de se encontrarem pela primeira vez. Foi ela que foi de Lisboa ao Porto, ao seu encontro, uma vez que era mais fácil deslocar-se.
“O Manuel nunca acreditou que, quando eu o conhecesse, continuava a namorar com ele porque tem uma aparência que não é vulgar”, atesta Isabel, referindo que já o conhecia pelas palavras mas o sentimento falou mais alto. “Um amor de dentro para fora”, como descreve, e que foi oficializado perante as famílias com o primeiro beijo. De ambas as partes, a família não encarou bem o facto de duas pessoas com tantas limitações físicas gostarem uma da outra e quererem viver juntas. “Foi uma luta permanente. Há muitas limitações. Não há privacidade. O Manuel tinha 50 anos e eu tinha 38 mas se os pais não concordarem não há namoro para ninguém”, atesta.
Manuel Matos, que nasceu com uma doença degenerativa e progressiva ao nível muscular, mexia apenas um polegar mas não era por isso que amava menos Isabel. “A minha mãe dizia-me: o que é que vai fazer ao Porto se o Manuel só olha para ti? Há muitas maneiras de amar. Só o olhar do Manuel me fazia me dava mais força”, disse.
Para Eduardo Jorge, que ficou tetraplégico há 20 anos na sequência de um acidente de viação, os casais que são constituídos por pessoas portadoras de deficiência deviam ter direito a um cuidador específico, uma espécie de terapeuta sexual. “Nós precisamos de uma pessoa que nos ponha na cama, nos limpe os genitais, nos coloque um perservativo. Porque é que a Isa e o Manuel não podiam viver juntos, na casa deles, com um cuidador pago pelo Estado? Se nos lares, quando existem casais de velinhos, há espaço para que privem num quarto, porque é que um casal de deficientes não pode ser ajudado para poder desfrutar da sua sexualidade em pleno?”, interroga.
sábado, 16 de junho de 2012
Ensinar a pintar e a cozinhar com os azeites da região
O pintor italiano Massimo Esposito, radicado em Portugal há 25 anos, foi a estrela
principal na tarde de sexta-feira, 30 de Abril, no Mercado Criativo de Abrantes. Munido
de um avental mas também de telas, tintas e pincéis foi convidado pela TAGUS –
Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior a cozinhar no
âmbito da iniciativa “Merendas com Personalidade”. Não esquecendo as suas raízes,
escolheu dar a provar a Pasta, confeccionado este típico prato com os produtos locais
e os hortofrutícolas do núcleo PROVE do Ribatejo Interior. Paralelamente, o pintor, de
55 anos, deu indicações de como vai funcionar o workshop “Pintura com Azeite, Ouro
Líquido da Região”, desenvolvido por esta associação e os produtores locais de azeite,
onde as tintas são concebidas com azeite em vez de óleo de linho. O pintor refere que
desenvolveu a técnica, bastante utilizada no Renascimento, permitindo que a secagem
seja mais rápida que naquela época. “É mais difícil pintar a azeite do que a óleo de linho porque enquanto este último seca ao fim de três, quatro dias, enquanto o azeite, com o calor, pode dilatar e criar alguns problemas. É esta técnica que vou ensinar”, explica. O curso realiza-se em Abril, sendo composto por uma sessão teórica e três sessões práticas nos olivais dos produtores dos Azeites da Nossa Terra. Em Junho, os quadros dos formandos vão ser expostos ao público no Mercado Criativo. O objectivo passa por “valorizar os produtos locais, olhando para eles, neste caso o azeite, de uma uma forma criativa” refere Pedro Saraiva, da organização.
Carrinhos de rolamentos na aldeia de Soudos
A adrenalina que emanava dos concorrentes contagiou as cerca de quinhentas pessoas
que, no domingo 13 de Maio, assistiram à “I Grande Descida em Carrinhos de
Rolamentos” nos Soudos, uma aldeia que tem a singularidade de integrar as freguesias
do Paço, Torres Novas e Paialvo, em Tomar. Joshua Ventura, 14 anos, residente na
povoação, foi um dos setenta e cinco inscritos, participando com um veículo construído
com a ajuda do pai, Florindo e do irmão mais velho, Mitchell, que arrecadou o prémio
de carro mais original. Construido em três dias com materiais que foram encontrados lá
por casa, entre uma cama de molas, dois candelabros e duas cangas de bois, foi
baptizado com o nome “Carro dos Flinstones”. Ganhava a corrida quem fizesse os cerca
de duzentos metros do acentuado declive da Rua Nossa Sra. do Pranto, já pertencente
ao lado de Tomar, no menor espaço de tempo e sem tocar ou derrubar os obstáculos
colocados ao longo do percurso. Não foi o caso de Joshua que, ao desviar-se de um pino,
acabaria por perder tempo uma vez que ficou imobilizado, terminando a corrida em
34,6’ segundos. Antes de ser empurrado pela descida abaixo, apesar de estar equipado
com capacete, óculos, cotoveleiras e joelheiras, Joshua manifestou o receio de “ficar
todo partido contra uma parede” mas acabou por correr bem até porque a organização
colocou alguns fardos de palha e pneus velhos, ao longo do percurso, para ajudar a
amortecer possíveis quedas. A ideia desta corrida partiu de alguns jovens residentes na
aldeia que formaram o grupo Soudos em Movimento. “Com este e outros eventos,
pretendemos angariar fundos para recuperarmos o campo desportivo de Soudos. Mas
também pretendemos dinamizar a aldeia, cativando e mobilizando a população para
actividades diversas e dessa forma promover o espírito associativo, de cooperação e
convívio”, explica Tiago Franco, da organização.
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