sábado, 16 de junho de 2012

Carrinhos de rolamentos na aldeia de Soudos A adrenalina que emanava dos concorrentes contagiou as cerca de quinhentas pessoas que, no domingo 13 de Maio, assistiram à “I Grande Descida em Carrinhos de Rolamentos” nos Soudos, uma aldeia que tem a singularidade de integrar as freguesias do Paço, Torres Novas e Paialvo, em Tomar. Joshua Ventura, 14 anos, residente na povoação, foi um dos setenta e cinco inscritos, participando com um veículo construído com a ajuda do pai, Florindo e do irmão mais velho, Mitchell, que arrecadou o prémio de carro mais original. Construido em três dias com materiais que foram encontrados lá por casa, entre uma cama de molas, dois candelabros e duas cangas de bois, foi baptizado com o nome “Carro dos Flinstones”. Ganhava a corrida quem fizesse os cerca de duzentos metros do acentuado declive da Rua Nossa Sra. do Pranto, já pertencente ao lado de Tomar, no menor espaço de tempo e sem tocar ou derrubar os obstáculos colocados ao longo do percurso. Não foi o caso de Joshua que, ao desviar-se de um pino, acabaria por perder tempo uma vez que ficou imobilizado, terminando a corrida em 34,6’ segundos. Antes de ser empurrado pela descida abaixo, apesar de estar equipado com capacete, óculos, cotoveleiras e joelheiras, Joshua manifestou o receio de “ficar todo partido contra uma parede” mas acabou por correr bem até porque a organização colocou alguns fardos de palha e pneus velhos, ao longo do percurso, para ajudar a amortecer possíveis quedas. A ideia desta corrida partiu de alguns jovens residentes na aldeia que formaram o grupo Soudos em Movimento. “Com este e outros eventos, pretendemos angariar fundos para recuperarmos o campo desportivo de Soudos. Mas também pretendemos dinamizar a aldeia, cativando e mobilizando a população para actividades diversas e dessa forma promover o espírito associativo, de cooperação e convívio”, explica Tiago Franco, da organização.
Os médicos que curam a tristeza Todas as quintas-feiras, João Ricardo Aguiar e Maria de Jesus Rocha, transformam- se em Dr. Sarmento e Dra. da Luz na pediatria do Hospital de Rainha Santa Isabel em Torres Novas. O casal, natural de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, chegou este ano a Portugal e com ele trouxe o Projecto Dr. Palhaço, apadrinhado pela Companhia de Teatro “Pouca Terra” do Entroncamento, que tem a missão de resgatar a alegria, o bem- estar e a confiança na vida das crianças hospitalizadas, bem como dos pais e familiares. Internada há pouco tempo, a Irís, de três anos, ouve atenta a flauta do Doutor Palhaço, que atrai depressa a atenção de outras crianças. Como é o caso de Soraia, que estava bastante chorosa e voltou a sorrir quando a magia do Dr. Sarmento entrou em acção. O casal, com um filho de quatro anos, trabalha neste projecto há dez anos e reconhece que nem sempre é fácil lidar com crianças debilitadas mas tem um truque: “Tentamos ver a criança e não a doença, tentado fazê-la interagir com a figura do palhaço”. Os pais e familiares não são esquecidos e também recebem mimos. “É muito gratificante quando vemos que os pais conseguiram relaxar durante algum tempo, enquanto brincamos com as crianças”, atesta Maria de Jesus. Apesar de inicialmente estar destinada apenas à Pediatria, as “consultas” do Dr. Palhaço foram solicitadas nas mais diversas alas deste hospital, aliviando a tensão gerada pelo ambiente hospitalar e despertando uma postura mais positiva em relação à doença e ao tratamento. Porque a tristeza também tem cura.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Cidadãos em cadeiras de rodas são içados pelos braços para a fotografia do cartão do cidadão

Para além da dificuldade para tirar fotografias as pessoas com deficiência enfrentam outras dificuldades relacionadas com a recolha das impressões digitais e com a assinatura digital.
Antonieta Monteiro, 37 anos, sofre de esclerose múltipla e desloca-se em cadeira de rodas. Recentemente viveu uma situação fora do normal quando foi fazer o cartão do cidadão na Conservatória do Registo Civil de Tomar. Teve que ser elevada da cadeira de rodas, pelos antebraços, para ficar com o rosto à altura da objectiva da máquina. E a operação teve que ser repetida cinco ou seis vezes, até que a fotografia ficasse em condições. O insólito caso aconteceu no dia 9 de Fevereiro. Antonieta Monteiro foi tirar o cartão do Cidadão integrada num grupo de utentes do Lar da Junceira, onde está internada. Viu o procedimento suceder à primeira pessoa do grupo e não quis acreditar que o mesmo lhe fosse acontecer quando chegasse a sua vez. Mas aconteceu. “Foi uma experiência surreal. Não estava à espera de passar por uma situação tão absurda. Quando vou a um local público gosto de conservar o meu amor-próprio”, conta. O Governo impôs a obrigatoriedade de efectuar o cartão do cidadão, decretada por lei, no sentido de aumentar “de forma significativa a segurança dos documentos pessoais”, regendo-se a sua utilização por parâmetros fixados na União Europeia. Por este motivo, passou-se a fazer a recolha dos dados biométricos, como a imagem facial, dispondo os equipamentos das características necessárias para a respectiva validação. Mas o que parece simples, nem sempre o é, tal como O MIRANTE descobriu pelo testemunho de Antonieta e de outras pessoas portadoras de deficiência física. “Atendendo às exigências de qualidade das fotografias, este equipamento é particularmente sensível revelando-se, em situações excepcionais, mais morosa a captura da fotografia, nomeadamente no que se refere ao alcance da distância precisa entre o kiosk e o cidadão”, justifica o Ministério da Justiça respondendo a O MIRANTE. Antonieta não aceita. “Senti-me altamente estúpida. O meu problema principal é que a nossa sociedade podia fazer melhor”, atenta estupefacta com a placidez com que os outros aceitam que estas situações aconteçam. Aliás, o procedimento repetiu-se com todas as pessoas do grupo que se deslocavam em cadeira de rodas, e ela foi a única a reclamar. Notícia completa aqui