sexta-feira, 9 de março de 2012
Cidadãos em cadeiras de rodas são içados pelos braços para a fotografia do cartão do cidadão
Para além da dificuldade para tirar fotografias as pessoas com deficiência enfrentam outras dificuldades relacionadas com a recolha das impressões digitais e com a assinatura digital.
Antonieta Monteiro, 37 anos, sofre de esclerose múltipla e desloca-se em cadeira de rodas. Recentemente viveu uma situação fora do normal quando foi fazer o cartão do cidadão na Conservatória do Registo Civil de Tomar. Teve que ser elevada da cadeira de rodas, pelos antebraços, para ficar com o rosto à altura da objectiva da máquina. E a operação teve que ser repetida cinco ou seis vezes, até que a fotografia ficasse em condições.
O insólito caso aconteceu no dia 9 de Fevereiro. Antonieta Monteiro foi tirar o cartão do Cidadão integrada num grupo de utentes do Lar da Junceira, onde está internada. Viu o procedimento suceder à primeira pessoa do grupo e não quis acreditar que o mesmo lhe fosse acontecer quando chegasse a sua vez. Mas aconteceu. “Foi uma experiência surreal. Não estava à espera de passar por uma situação tão absurda. Quando vou a um local público gosto de conservar o meu amor-próprio”, conta.
O Governo impôs a obrigatoriedade de efectuar o cartão do cidadão, decretada por lei, no sentido de aumentar “de forma significativa a segurança dos documentos pessoais”, regendo-se a sua utilização por parâmetros fixados na União Europeia. Por este motivo, passou-se a fazer a recolha dos dados biométricos, como a imagem facial, dispondo os equipamentos das características necessárias para a respectiva validação. Mas o que parece simples, nem sempre o é, tal como O MIRANTE descobriu pelo testemunho de Antonieta e de outras pessoas portadoras de deficiência física.
“Atendendo às exigências de qualidade das fotografias, este equipamento é particularmente sensível revelando-se, em situações excepcionais, mais morosa a captura da fotografia, nomeadamente no que se refere ao alcance da distância precisa entre o kiosk e o cidadão”, justifica o Ministério da Justiça respondendo a O MIRANTE. Antonieta não aceita. “Senti-me altamente estúpida. O meu problema principal é que a nossa sociedade podia fazer melhor”, atenta estupefacta com a placidez com que os outros aceitam que estas situações aconteçam. Aliás, o procedimento repetiu-se com todas as pessoas do grupo que se deslocavam em cadeira de rodas, e ela foi a única a reclamar.
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A vocação para a pintura depois de um AVC
Há cerca de dois anos, António Oliveira estava tranquilamente sentado ao balcão da sua ourivesaria, de óculo no olho, pinça na mão a observar uma peça minúscula para arranjar um relógio. Era sábado, acompanhavam-no a esposa e a filha. Discutiam o que iam fazer para o almoço. A certa altura, caiu o óculo e a pinça e o relojoeiro, sempre consciente, sabia que algo de errado estava a acontecer consigo. Tentou mover-se para beber água mas o corpo não respondia. “Foram os bombeiros que me tiraram da cadeira”, conta. Seguiu-se um ano de fisioterapia em Ourém para recuperar os movimentos do lado direito do corpo. O relojoeiro, pessoa que sempre foi independente, caiu numa depressão. “Andava desvairado de todo porque estava pendurado em tudo. Tinha tensões altas pela pressão de querer fazer e não poder”, confessa.
Apesar de ter o Santuário de Fátima a poucos metros, não foi na fé que se refugiou mas no posto médico que existe no interior do espaço que acabou por encontrar “o milagre”. Foi medir a pressão arterial e uma médica, sugeriu-lhe que começasse a desenhar. Apesar de relutante acabou por aceitar e saiu-se bem. Acabou integrado num grupo que reúne semanalmente com uma professora de desenho. “Só tenho a 4.ª classe mas aceitaram-me bem e os meus desenhos foram apreciados”, refere.
Recuperou por completo do AVC e voltou a trabalhar na sua profissão. A pintura transformou-se num hobbie e tem quadros seus em exposição numa loja do Centro Comercial Fátima. Os quadros são figurativos e impressionam pela intensidade que transmitem. A maioria representa rostos humanos e há até quem tenha descortinado entre eles um auto-retrato. António Oliveira, que adoptou “Antory” como nome artístico só nunca desenhou relógios.
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A professora de Abrantes que canta o fado a dançar
Dora Maria, 36 anos, lançou em Abril do ano passado o seu primeiro
trabalho: "Mar de Tanto Amar”. No próximo domingo, 29 de Janeiro,
pelas 16 horas, é este espectáculo que leva a todos os que acorrerem
ao Cine-Teatro da Chamusca, terra natal de dois dos seus
acompanhantes, Bruno Mira, na guitarra portuguesa e João Chora, na
viola de fado. O evento conta ainda com Ricardo Alves, na flauta
transversal, André Natanael Teixeira, no acordeão e um momento de
poesia de Raúl Caldeira.
Começou a ouvir a mãe a cantar fado para os amigos e para a família.
Aquilo soava-lhe bem aos ouvidos. Dora Maria, voz grave a emoldurar um
rosto bonito, diz que sempre gostou de cantar, fosse fado ou outro
género musical. Fez parte de um coro da igreja, participou em
Festivais da Canção Infantil, enfim, em tudo o que metia música à
mistura. Apesar de ter renegado o fado na adolescência, nos anos 80,
“porque era foleiro os jovens cantarem o fado” havia de se render a
este canto mais tarde, quando foi estudar Português-Francês para Beja.
Com a música sempre a palpitar no coração, entrou para a Tuna
Académica, da qual fez parte cinco anos. “Havia alguns fados no
reportório e, como viram que tinha algum jeito para a coisa,
puseram-me como solista. Lembro-me que cantava Dulce Pontes, que era
uma nova forma de cantar fado”, conta a O MIRANTE numa sala da Casa
Museu dos Patudos em Alpiarça, onde todos os dias vem de Abrantes para
dar aulas de ensino básico.
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