“Não se é jornalista seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês mas sim 24 horas por dia, mesmo estando desempregado”. Li esta frase, do jornalista Orlando Castro, quando estava no último ano do curso de jornalismo. Recordo de, na ocasião, a escrever e sublinhar como se de uma verdade incomensurável se tratasse. Oito anos mais tarde não tenho dúvidas de que só vence nesta vida que assim sente e age. Porque esta não é uma profissão. É um modo de estar na vida pública. O difícil nisto tudo é explicar aos outros, especialmente aos que escolheram ter uma profissão, que a missão de informar não se compactua muitas vezes com as suas regras, horários e rotinas. Como já me aconteceu, por exemplo, ligar para uma repartição pública às cinco da tarde e ninguém atender o telefone, tentar trabalhar num feriado e ninguém se disponibilizar para dar entrevistas nesse dia ou ligar para a Polícia por causa de um assalto e não há quem consiga dar informações porque “o chefe saiu” e só ele as pode dar. E como explicar a alguém que, mesmo estando de férias, a nossa vontade é sair a correr atrás do carro dos bombeiros porque auguramos que o acidente foi grave ou durante aquele jantar de amigos não nos deixamos contagiar pelas anedotas que contam porque temos a cabeça a fervilhar no caso que tratamos há poucas horas, pronta a sair pelas pontas dos dedos. Tenho a noção que só um jornalista entende outro jornalista, como só um médico entende um médico ou um jardineiro entende quem gosta de flores. Só outro jornalista consegue perceber porque trabalhamos aos feriados, fins-de-semana e, se for necessário, ficarmos agarrados ao computador pela noite dentro. Só outro jornalista, partilha o entusiasmo que imprimimos ao contar o que se passou naquela reportagem e nos retribui também contado enfaticamente o que lhe aconteceu de uma outra vez. Por isso, um funcionário público talvez considere que é uma chatice atender o telefone meia hora antes de sair, algumas pessoas considerem que têm mais que fazer do que aturar jornalistas num dia feriado e o agente policial que atende os telefones não quer extrapolar as suas funções mesmo que seja só para dizer a onde e a que horas foi o assalto.
publicado aqui
domingo, 21 de novembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O fardo que carrega quem não sabe ler nem escrever

Alexandrina Prazeres abandonou a escola aos seis anos para tomar conta dos irmãos. Apesar de ser saudável e bem-disposta, precisa de ter sempre alguém ao seu lado para a ajudar porque quem não sabe ler precisa sempre de um amparo.
Quando estacionámos o carro de O MIRANTE em frente a casa de Alexandrina Prazeres, moradora no Bairro 1.º de Maio em Tomar, mesmo sem anunciarmos presença, a porta abriu-se de imediato. A tomarense esboçou um sorriso e convida-nos a entrar e, após dizermos ao que vamos, replica algo desapontada: “Ah! Pensava que me vinha oferecer emprego”. Não identificar a repórter, mesmo que esta se faça transportar num carro identificado como é o nosso caso, foi o primeiro sinal do fardo que Alexandrina Prazeres carrega aos 44 anos, fruto de nunca ter aprendido a ler nem escrever.
Natural de Tomar, Alexandrina chegou a frequentar a 1.ª classe mas a mãe, que trabalhava sozinha no campo de sol a sol, precisava de alguém para tomar conta dos irmãos mais novos. Aos seis anos fazia a lida da casa, cozinhava, apanhava azeitona e ia ao mato buscar feixes de lenha à cabeça, conta quem só em adulta aprendeu a assinar o nome a copiar. Os tempos eram outros, as prioridades também e os dias foram passando sem que regressasse aos bancos da escola. Melhor destino tiveram os seus irmãos que aprenderam a ler e a escrever.
Reportagem completa aqui
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Acto de vandalismo destrói toneladas de tomate a agricultor da Golegã
Produtor acredita que acto foi feito “por desfeita” e vai apresentar queixa na
GNR.
Um agricultor da Golegã ficou com metade da sua produção de tomate estragada depois
de alguém lhe ter entrado com um carro pelo campo de plantação, dizimando tudo o que
encontrava pela frente. Ao todo contabiliza a destruição de seis fileiras de tomate, cerca de 50 toneladas, “prontinho para ser apanhado”, metade do que tinha sido plantada em Abril. Joaquim Barroso, 55 anos, “agricultor toda a vida”, nem queria acreditar nos seus olhos quando na manhã de sexta-feira, 27 de Agosto passou junto do tomatal, com cerca de três hectares, que tem na Requeixada, Golegã. Quem conhece o campo como ele sabe que a ramada do tomate tem uma altura homogénea, neste caso cerca de 40 centímetros, pelo que viu logo que algo não estava bem. O agricultor constituiu uma empresa familiar de produtos hortícolas que, em colaboração com associação Agromais, consegue vender para as fábricas da região.
Na passada segunda-feira, 30 de Agosto, as palavras ainda lhe custavam a sair, abalado com o acto que não tem dúvidas em classificar como “vandalismo” uma vez que nada foi roubado. “Fizeram pouco de mim. Isto só pode ter sido praticado por alguém que me quer fazer alguma desfeita”, refere com uma calma aparente, mão no queixo e um
leve encolher de ombros. O prejuízo é avultado mas Joaquim Barroso prefere não
divulgar números. Minutos antes foi o filho Rui, 32 anos, o interlocutor desta conversa, mostrando-nos do alto da sua “pick-up” o rasto de destruição deixado ao longo de mais de um quilómetro. As marcas do carro, “que teria que ter rodas altas para fazer um serviço destes” são ainda bem visíveis no terreno. O calor abrasador que se faz sentir nesta tarde exala o cheiro do tomate maduro. Rui, que ajuda o pai na produção pega em algumas ramadas desolado. Os tomates maduros pisados misturam-
se com os verdes e agora vai ser recolhido com a máquina mas pouco ou nada se vai
aproveitar.
Noticia completa na edição de 02 de Setembro
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