quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Enigmas Tomarenses (I) - Cidade fora de Serviço?

Situações de vandalismo em equipamentos públicos são dor de cabeça para autarcas de Tomar



Vandalismo em sistema de rega resulta num prejuízo de 1500 euros para a autarquia.

“A praga de vandalismo continua”. A indignação de Carlos Carrão (PSD), vice-presidente da Câmara de Tomar e responsável pelo Serviço de Parques e Jardins subiu de tom quando, na última semana, foi confrontado com a destruição de mais de meia centena de aspersores e pulverizadores de água, na freguesia de Santa Maria dos Olivais. Um prejuízo de 1500 euros para a autarquia tomarense que se viu obrigada a substituir os sistemas vandalizados na zona envolvente às obras de arranjos exteriores na envolvente da igreja de Santa Maria dos Olivais, perto do Bairro do Flecheiro.

E se todos os anos as autarquias da região gastam milhares de euros a repor equipamentos furtados do espaço público, no caso da Câmara de Tomar, não é o furto dos equipamentos que mais preocupa os autarcas mas o facto de existirem pessoas que estragam estes bens públicos sem razão aparente. “Desde as papeleiras aos contentores, infelizmente, o vandalismo generalizou-se”, lamentou Carlos Carrão a O MIRANTE (PSD), acrescentando que na cidade são cada vez mais os espaços que estão abrangidos pela rega automática. “Temos muito equipamento que ficam desprotegidos à mercê desses actos de vandalismo mas não pudemos colocar um polícia junto de cada aspersor”, disse, apelando que o civismo se sobreponha à prática destes actos “que prejudicam a todos e em nada favorecem quem os pratica”.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Matemático reservado que gosta de trabalhar nos bastidores


Aos 25 anos já dava aulas no Instituto Politécnico de Tomar mas Francisco Carvalho descobriu a vocação para a Matemática numa fase tardia da sua formação académica, que iniciou com um bacharelato na área da Engenharia Quimíca. Só mais tarde opta por fazer uma licenciatura em Estatística e, posteriormente, decide fazer o doutoramento na área da Matemática. “Só despertei para esta área depois de fazer uma licenciatura na área da Estatística e já depois de estar a leccionar”, disse a O MIRANTE. Levou quatro anos a concluir o seu trabalho de investigação, no âmbito do Doutoramento em Modelos Lineares. Considera que o maior fascínio da Matemática reside em conseguir descobrir novas técnicas e metodologias para resolver problemas que são colocados. “Ou então, perante um problema que já foi resolvido, tentar encontrar uma solução mais vantajosa para optimizar a resolução desse problema”, sintetiza. Reservado, não gosta muito de falar da sua vida pessoal e assume que prefere trabalhar nos bastidores.

Porque é que a maioria dos jovens foge da Matemática como o “diabo da cruz”?
É uma questão complicada. Penso que depende da maneira como são incentivados ao longo dos anos de formação. Não consigo responder muito bem a essa pergunta. A maioria dos nossos cursos – sou professor na Escola Superior de Gestão de Tomar - tem um maior pendor quer de Matemática, quer de Estatística, sobretudo os cursos de Engenharia e Gestão, que influenciam quase todas as matérias leccionadas.

Um professor que se limite a debitar a matéria não consegue cativar o aluno? Cada professor tem a sua metodologia e penso que falo por todos quando digo que tentam sempre captar o interesse dos alunos para a matéria que está a expor. É difícil avaliar porque é que é mais ou menos bem sucedido nesta missão. Nem todos os alunos são iguais e nem todos os métodos resultam com todos os alunos. Tentamos sempre apresentar um exemplo ou uma aplicação diferente de modo a cativar o interesse por parte dos alunos. É esse o nosso objectivo.

Mas como é que se consegue despertar a atenção por parte do aluno?
Mais do que a quantidade de exercícios realizados, é importante a diversidade e mostrar qual a aplicabilidade dessa matemática em meio real. Ou seja, tentar demonstrar que aqueles conhecimentos que estamos a transmitir têm uma aplicação prática para o curso ou formação que estão a receber.

Há a ideia que a maior parte dos nossos “crânios” da Matemática optam por desenvolver a sua investigação no estrangeiro…
Não concordo. Cada vez se vê mais investigação a ser feita em Portugal e por isso está a ser mais apoiada. Reconheço que a “fuga” para o estrangeiro poderá acontecer em algumas áreas de ponta, uma vez que podem não existir os meios tecnológicos necessários para progredir na investigação. Também é verdade que há muitos investigadores estrangeiros. Este intercâmbio entre investigadores portugueses e estrangeiros é já natural.