sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Idosos de Tancos vão ao médico em carrinha da junta



Idosos são transportados e acompanhados ao médico, gratuitamente, numa carrinha de cinco lugares comprada pela Junta de freguesia. Podem ainda pedir ajuda para que lhes paguem as facturas da água, luz, telefone ou gás.


Desde 1 de Junho que a população mais velha de Tancos, Vila Nova da Barquinha, conta com uma ajuda preciosa: a Junta de Freguesia, liderada por Manuel Pequito Cardoso (PS), assegura o transporte, gratuito, a pessoas com mais de 60 anos que necessitam de ir ao médico e têm mais dificuldades nessa deslocação ou de pagar, por exemplo, facturas de água, telefone, luz ou gás. Nesta última situação, se o utente não quiser sair de casa, entrega a factura com o dinheiro e pode ficar descansado que a funcionária da junta, Natália Sofia Santos, 30 anos, dá conta do recado. A carrinha só não serve para levar os idosos às compras ao supermercado.


Na freguesia de Tancos residem cerca de 450 pessoas e mais de metade tem idade superior a 65 anos. “Foi a melhor coisa de que o senhor presidente da junta se podia ter lembrado” contou ao nosso jornal Hortênsia da Conceição Lopes, 69 anos, que já utilizou os serviços da carrinha por cinco vezes, três das quais para ir ao médico. Antes, esta habitante costumava percorrer cerca de 3,5 quilómetros a pé até Vila Nova de Barquinha, enchia-se de coragem e era pelo próprio pé que também regressava.


A funcionária da Junta visita todos os idosos duas vezes por semana para relacionar as suas necessidades. O objectivo, segundo Manuel Cardoso, é tão só ajudar todos, independentemente da sua situação socioeconómica, os que não tem transporte ou familiares por perto que os apoiem nesse sentido. Para tal, a Junta de freguesia adquiriu, sem qualquer comparticipação, uma carrinha (em segunda mão e com 30 mil quilómetros) de cinco lugares, no valor de 12 mil e 300 euros.


A ideia surgiu em meados de Maio, após uma reunião que envolveu a Câmara de Vila Nova da Barquinha, Juntas de Freguesia, representante da Segurança Social e da Santa Casa Misericórdia, que se juntaram para delinear um projecto de apoio a idosos. “Saímos de lá com uma mão cheia de nada. Mais tarde, em conjunto com o meu tesoureiro, tivemos esta ideia uma vez que andámos a auscultar a necessidade das pessoas”, explica o autarca a O MIRANTE.


Manuel Cardoso fez um pedido ao Centro de Emprego no sentido de lhe enviarem uma pessoa, “com carta de condução”, para que fosse possível dar seguimento ao projecto que também apresentou a esta instituição. A escolhida foi Natália Sofia Santos, que o autarca considera ser a pessoa com o perfil certo para exercer este tipo de funções. Cabe, portanto, ao Centro de Emprego pagar o vencimento desta funcionária, suportando a Junta de Freguesia apenas uma percentagem (20%) do seu vencimento, o seguro contra acidentes pessoais e subsídio de alimentação. “De outro modo não poderíamos implantar isto uma vez que representava uma despesa de 10 mil euros por ano”, considera o autarca.

“Alguns idosos choram de alegria. Estão contentes e ficam admirados de não pagar nada”, conta Manuel Cardoso, que preside os destinos da Junta há 12 anos consecutivos. O autarca anuncia que o próximo projecto passa por transformar o antigo edifício da escola primária num centro de convívio para idosos e, simultaneamente, albergue da juventude para acolher grupos de jovens que venham visitar a região.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Multinacional em Riachos manda 42 trabalhadores para o desemprego



Intenção foi comunicada na terça-feira, 24 de Novembro e, segundo a administração da Univeg, prende-se com o aumento da concorrência.

A administração da Univeg, uma multinacional de transformação e distribuição de produtos alimentares com sede em Riachos, Torres Novas, confirmou a intenção de despedir 42 pessoas, a maioria mulheres, dos 154 trabalhadores, que trabalhavam na “4ª Gama e de Embalamento e distribuição de frutas e legumes frescos”. O anúncio foi feito na última terça-feira, 24 de Novembro, data em que, segundo o apurado por O MIRANTE, administração, trabalhadores e um representante do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio estiveram reunidos no sentido de negociar as condições de saída dos trabalhadores.

A Univeg pertence a um grupo multinacional com sede na Bélgica que produz e comercializa produtos como sopas e saladas lavadas e prontas a consumir. A medida é justificada com base no aumento da concorrência. “Recentemente, as condições de mercado deterioraram-se, quer pelo aumento da concorrência quer pela alteração da estratégia de compra dos seus maiores clientes”, apontam num comunicado enviado a O MIRANTE na tarde de terça-feira.

O mesmo documento atesta que, apesar dos esforços desenvolvidos pela administração e trabalhadores no sentido de melhorar os resultados, através do controlo de custos, do desenvolvimento de novos produtos e da procura de novos mercados, “a rentabilidade da produção está de tal forma ameaçada, que a Administração da Univeg Portugal não tem outra alternativa”. A restante actividade, ou seja, a prestação de serviços de Logística (Frescos, Congelados e Peixe Fresco), em conjunto com a importação directa e a Exportação de produtos Portugueses, continuam a sua laboração normal. De acordo com a administração, o processo de encerramento será faseado gradualmente durante os próximos meses.

Em comunicado, o PCP de Torres Novas lamenta o despedimento colectivo, medida que consideram que vem agravar a situação social no concelho sendo legítimas as dúvidas quanto ao futuro da própria UNIVEG e portanto, dos restantes trabalhadores. “A situação da Univeg vem juntar-se a outras situações de empresas com graves dificuldades económicas no concelho, nomeadamente na Companhia de Torres Novas Fiação e Tecidos”, sublinham os comunistas torrejanos.

Receberam factura de 3.300 euros de água para pagar e não sabem onde a gastaram



Família carenciada vive do rendimento mínimo e corre o risco de ficar sem água por não poder pagar.

Uma família carenciada residente no Bairro do Património dos Pobres, em Marmelais, Tomar, recebeu uma factura de água no valor de 3.299,89 euros no passado mês de Setembro. Posteriormente, recebeu outra factura no valor de 192,37 euros, acompanhada com um aviso de corte no fornecimento com data de 19 de Novembro. Na tarde da passada segunda-feira, a família visada preparava-se para responder para suspender o corte.

A família, que habita nesta casa há 11 anos, não compreende o valor astronómico da factura. “Só uso água para fazer comida, tomar banho e lavar a roupa”, explicou a O MIRANTE Paula Gândara, que vive na casa com o companheiro e três filhos menores de 9, 14 e 16 anos. “Não posso tirar o comer da boca dos meus filhos para pagar uma coisa destas”, atesta, desesperada com a eventualidade do corte de água. Depois de ter recebido a factura, Paula Gândara contratou um técnico particular mas este não encontrou nenhuma anomalia no contador nem quaisquer indícios de rotura de canos de água. A munícipe não tem por hábito registar as leituras de contador mas desde que recebeu esta factura já fez este registo por três vezes e os mesmos não fogem ao consumo normal.

Na reunião de Câmara de Tomar, os vereadores do grupo “Independentes por Tomar” alertaram o executivo para este caso social. Recomendaram a intervenção directa do presidente da Câmara no problema e pediram a revogação imediata da decisão de interrupção do fornecimento de água à família e uma intervenção técnica dos SMAS para apurar o que deu causa a tão estranha facturação. “É evidente que tal facturação não pode corresponder ao consumo de água efectuado por esta família, pelo que, se torna inadmissível que tenham sido recentemente notificados do corte do fornecimento de água em 19 de Novembro, caso não paguem a factura”, ressalvam os vereadores.

O MIRANTE contactou com Luís Vicente, presidente do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) de Tomar que explicou que, neste caso particular, ainda não foi confirmada a existência de uma rotura de água que possibilite uma redução da tarifa. “Os serviços vão ter que verificar a situação e cabe à administração que decide o que fazer nestes casos”, apontou o responsável. Luís Vicente aconselhou a família visada a fazer uma exposição ao SMAS, com base na carta de aviso de corte recebida, de modo a que os serviços consigam averiguar o que realmente aconteceu. “Quando há roturas confirmadas os consumidores pagam os escalões mais baixos. Há formas de ajudar os consumidores que tiveram este tipo de acidente. A família não pode ser penalizada por um consumo que não fez”, atesta.